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  • Jeff Costa

Como fazer com que meus alunos se interessem por literatura?

Professores de idiomas não raramente se deparam com esta questão: “Meus alunos não se interessam por literatura. O que posso fazer para nutrir neles o gosto pela leitura?” Sim, essa é uma realidade. Os jovens já não têm interesse pela leitura, e quando têm, raramente é por escritores que não sejam contemporâneos a eles. Mas sim, é possível fomentar esta curiosidade nos alunos com um pouco de criatividade.




A tarefa da literatura é ajudar o homem a compreender-se a ele mesmo

Máximo Gorki


ESCOLHA LIVROS QUE SEJAM RELEVANTES PARA O UNIVERSO DO ALUNO


Livros que abordam questões que fazem parte do contexto de vida dos alunos tem mais probabilidade de fazer sucesso entre eles. Antes de escolher uma obra se pergunte se ela tem relevância para os alunos, se ela aborda questões presentes em suas vidas. Temas universais como amor, amizade e respeito são boas sugestões para serem trabalhadas em aula.


Quem não gosta de tensão e conflito? Nós humanos somos movidos por esses dois conceitos. A nossa vida tem mais emoção e sentido quando existem interrupções, quando coisas acontecem e suspendem a morosidade do dia-a-dia. Tal é o sucesso de obras literárias, onde o conflito é parte central da trama. Uma boa obra para trabalhar os temas universais do amor e amizade com toques de conflito é Dom Casmurro do Machado de Assis. Além de ser uma novela importante da literatura brasileira (por vezes considerada a principal) ela é uma leitura relativamente rápida e fácil que tem relevância para o aluno adolescente. Afinal, Capitu traiu ou não traiu?


PROBLEMATIZE OS GRANDES CLÁSSICOS


Os alunos de hoje não são como os de alguns anos atrás. Hoje eles desenvolveram maior senso crítico e questionam o que antes era tido como comum ou como regra. Piadas contra negros, gordos e homossexuais já não são aceitas com a mesma passividade de antes. Racismo, gordofobia e homofobia não são mais justificáveis. Desta forma a nova geração abriu espaço para discussões relevantes na sala de aula sobre preconceito e representação das minorias nas artes.


Existem obras que são evidentemente ou sutilmente racistas e homofóbicas na literatura, não apenas brasileira, mas mundial. O papel do professor é de proporcionar um espaço de discussão onde os alunos possam expressar suas ideias a respeito das obras. Algumas regras de respeito e convivência devem ser estabelecidas e incentivadas antes de começar qualquer discussão. A sala de aula deve ser um espaço democrático de troca de ideias e não de agressões.


Uma boa sugestão para tratar temas de representatividade é Iracema de José de Alencar. Como a obra representa a mulher indígena? É positiva ou negativa essa representação? Sob qual perspectiva está sendo representada essa mulher? Pela branca ou pela indígena? Será que existem autores que retratam os povos indígenas de outra maneira? Existem escritores indígenas? Estas são todas perguntas possíveis para uma discussão pós-leitura. A literatura nativa é algo relativamente recente e os alunos talvez não tenham tido contato com nenhum livro escrito por indígenas. A leitura de um clássico pode direcionar os alunos nessa direção.


INCENTIVE A BUSCA PELAS ADAPTAÇÕES PARA O

CINEMA


Como dito antes os alunos nem sempre demonstram interesse pela leitura, mas frequentemente pelo cinema sim. Filmes e séries além de oferecer um formato mais acessível de ser consumido, fazem parte do seu cotidiano.

O professor tem duas opções, pular direto para o vídeo e fazer com que ele seja parte do clube do filme (para o artigo sobre clube do filme clique aqui) ou primeiramente ler a obra e depois assistir ao longa-metragem e comparar os dois (ou vice-versa).


Ambas as alternativas são ricas e eles estarão consumindo literatura, o importante é considerar os pontos a serem trabalhados. Queremos que eles adquiram mais vocabulário e sejam expostos às estruturas gramaticais? Então a obra é o mais indicado. Estamos interessados nas discussões resultantes do longa-metragem? Então o filme é satisfatório. Eu particularmente gosto de trabalhar com os dois formatos, livro e filme, para o aluno poder comparar os dois e refletir sobre suas diferenças.



A teatralidade é essencialmente humana. Todo mundo tem dentro de si o ator e o espectador. Representar num 'espaço estético', seja na rua ou no palco, dá maior capacidade de auto-observação. Por isso é político e terapêutico

Augusto Boal


TEATRO, MUITO TEATRO


Viver experiências novas é maravilhoso. Todos apreciamos ter diferentes experiências e isso é sobretudo verdadeiro para o aluno adolescente que está começando a provar coisas novas.

Viver várias vidas em uma, está é uma premissa que se traduz nas artes cênicas e a literatura é uma fonte abundante de histórias a serem vividas. Os alunos podem demonstrar-se resistentes no começo ao teatro, mas uma vez que experimentam outras realidades tendem a gostar da encenação.


Cabe ao professor decidir os objetivos do teatro no contexto de língua estrangeira. Esta será uma atividade a ser desenvolvida apenas entre professor e alunos ou será apresentada para outras pessoas como pais e colegas de outras turmas? Se for a segunda opção seria interessante que o professor tivesse alguma noção de direção para o desenvolvimento de uma peça. De qualquer maneira este não é o ponto mais relevante da proposta. O mais importante é que os alunos vivenciem a língua alvo e as diferentes vidas através das personagens.


CONCLUSÃO


A literatura pode ser uma grande aliada no contexto de língua estrangeira, não apenas pelos aspectos gramaticais e pelo vocabulário que ela apresenta aos alunos, mas também pela carga cultural e pelas possibilidades de ricas vivências e discussões a serem desenvolvidas na sala de aula.

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