Nem tudo é culpa dos hormônios: uma conversa sobre a adolescência

Atualizado: Nov 11

Quem tem um adolescente em casa sabe como pode ser, ao mesmo tempo, mágica e desesperançosa esta convivência. Antes uma criança amável e companheira, agora um adolescente indiferente e com excessos de fúria. A primeira reação dos pais tende a ser culpar os hormônios. Sim, de fato os hormônios têm papel importante na resposta do comportamento dos adolescentes, mas não somente eles.



Os adolescentes passam por três transformações principais: a fisiológica, quando o corpo está se transformando, a psicológica, quando eles tentam conviver com a mente e os acontecimentos da sua vida, e a neurológica, que são as transformações (principalmente químicas) do cérebro. É sobre a última que vamos falar hoje.


O cérebro humano segue na formação das conexões até os 25 anos, ou seja, ele está ainda em desenvolvimento até esta idade. Uma grande máquina, o cérebro está dividido em 'setores', e entre estes setores o último a se conectar com os outros, é o lobo frontal, que é responsável nada mais que por habilidades como o pensamento crítico, o julgamento, o impulso e o auto-controle. Quando ouvimos um adulto dizer que a sua filha adolescente bebeu até ficar inconsciente e desabafar: "Ela não tem noção do perigo disso?" A resposta é não, ela não tem o discernimento do perigo de suas ações, justamente por ainda não ter a habilidade de pensar nas consequências de suas ações, principalmente a longo prazo, bem desenvolvida. Esta é a razão das atitudes de risco não serem raras na adolescência.


Nosso papel como professores, profissionais da saúde e pais é expor nossos adolescentes a histórias reais e suas consequências. Lembrá-los todos os dias que suas atitudes podem levar a desfechos trágicos. Pode parecer uma atividade cansativa, mas é necessária, por que a adolescência é um período da vida predisposta a atividades de risco.


Se por um lado a adolescência é uma fase de muitos excessos de maus comportamentos, pelo outro é uma fase com muitas potencialidades. O cérebro do adolescente goza de plasticidade, assim como o cérebro das crianças.


Quando falamos sobre plasticidade, estamos falando sobre a adaptabilidade do cérebro para aprender coisas novas sem muito esforço. Estudar inglês, por exemplo, que pode ser uma atividade penosa para um adulto, para um adolescente tende a ser mais tranquila e natural, pois seu cérebro ainda em formação e desenvolvimento, se molda com facilidade.


O mesmo se aplica para outras habilidades. Grandes atores, dançarinos, atletas e pintores começaram seus treinos na adolescência. Quem se lembra da Natalie Portman no seu papel em O Profissional? Ou Lionel Messi ganhando destaque na seleção argentina sub-20? Estes são apenas dois exemplos de pessoas que mostraram ao mundo as suas capacidades ainda antes dos 20 anos.


Embora os adolescentes possam parecer ter sido substituídos por alienígenas, esta é uma fase com um incrível potencial que pode ser sinônimo de uma fase de incrível evolução e amadurecimento. Seu filho ou filha adolescente, já não é criança, mas tão pouco é adulto. Eles estão justamente nessa fase de transição e que tem suas necessidades específicas. Com a dose certa de compreensão e incentivo por parte de pais e profissionais, é possível nutrir um ser que vai chegar na fase adulta preparado para os próximos desafios da vida.

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