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  • Jeff Costa

O PAULISTINHA | Como é viver em São Paulo



Terra da garoa, cidade cinza, Sampa, locomotiva do país. Muitos são os nomes da cidade de São Paulo, e todos eles refletem um pouquinho a realidade desta megalópole de mais de 12 milhões de habitantes, que é a cidade mais populosa das Américas e a oitava mais populosa do mundo.


Mas como é viver em meio a essa selva de pedra? Vou tentar responder esta pergunta neste modesto artigo.


São Paulo é uma cidade extremamente diversa. Tendo sido constituída inicialmente por indígenas, portugueses e africanos, a cidade foi ficando ainda mais colorida com o passar do tempo, com a chegada de imigrantes italianos e japoneses, da intensa migração de nordestinos nos anos 70 e 80 e recentemente de outros africanos e bolivianos. Estes são os grupos mais expressivos na cidade, porém é preciso fazer recortes para entender como se vive em Sampa.


Conhecida como a locomotiva do Brasil, representando sozinha 17% do PIB (produto interno bruto) nacional, a cidade de São Paulo é ao mesmo tempo, próspera e desigual. Enquanto existem bairros com IDH (índice de desenvolvimento humano) com padrões europeus, também existem outros com equivalência de regiões pobres da África. Logo, a discussão sobre meritocracia, tão em voga no Brasil, é bastante problemática.


A teoria da meritocracia diz que todas as pessoas têm a mesma possibilidade de crescimento econômico, independente de sua origem social, cor da pele, gênero ou orientação sexual. Mas será que isso é verdade? Vamos pensar em duas situações opostas. A primeira um rapaz branco que mora no bairro do Morumbi, região extremamente rica com muita oferta de saúde e educação de qualidade, além de oferta de trabalho com altos salários. Do outro lado, temos um rapaz negro que vive na Cidade Tiradentes, um bairro muito distante do centro da capital e que não goza das mesmas ofertas do bairro do Morumbi. Logo, se o desejo do rapaz for crescer economicamente, provavelmente terá que se deslocar para bairros distantes, tomando então muitos ônibus, trens e metrôs. Além desse trajeto exaustivo, terá que enfrentar o racismo estrutural, que ainda assola a sociedade brasileira. Será que realmente estes dois rapazes têm as mesmas oportunidades? Eu diria que certamente não.


Feito este recorte, falarei então da minha experiência pessoal de rapaz branco, de família ítalo-brasileira de classe média, que é o lugar da minha fala.


Eu não vivo na cidade de São Paulo. Eu vivo em uma cidade que fica a cerca de 30 minutos de trem da capital. Alguns estrangeiros que me visitaram, disseram ser tecnicamente a mesma coisa a capital e a minha cidade, que se chama Santo André. Nós andreenses, contudo, percebemos esta sutil diferença. Por viver muito próximo de São Paulo, e por ser o segundo lugar que eu mais frequento, sinto-me tranquilo para comentar como é viver na capital. Lembrando que paulistinha (diminutivo de paulista) se refere a todas as pessoas que vivem no Estado de São Paulo, não na cidade. Se quisermos nos referir somente à cidade de São Paulo, o termo seria paulistano.


Para começar, vamos falar da Avenida Paulista que segue sendo o nosso cartão postal. Avenida importante da economia paulista há mais de um século, esta larga avenida é também ponto de encontro entre amigos para passeios culturais e gastronômicos. Com cinemas, museus, galerias, ‘shoppings’, cafés e restaurantes, este é um local imperdível da cidade. Aos domingos a avenida é fechada para carros, se transformando em um grande espaço para práticas esportivas e culturais. A Paulista é cortada por uma grande ciclovia, onde ciclistas e patinadores circulam apreciando a vista. Também na Paulista, músicos, poetas e pintores se expressam artisticamente, atraindo o olhar curioso dos transeuntes.



Outro ponto de interesse é o Parque Ibirapuera. Um dos maiores parques urbanos do mundo, o Parque Ibirapuera foi eleito um dos dez melhores parques do mundo pela TripAdvisor em 2014, e não é por acaso. O parque conta com lagos, extensa área verde, pista de patinação e aparelhos culturais, para ‘shows’ e exposições. Se virem à São Paulo, este é outro ponto de interesse indispensável.


Agora saindo um pouco dos clássicos turísticos, vamos passear pelo centro, que é meu lugar favorito na cidade. Com muita oferta cultural, gastronômica e arquitetônica, o centro é sem dúvida um reflexo da nova cara de São Paulo. Sem dificuldade é possível esbarrar em africanos com seus trajes típicos, e também bolivianos vendendo suas artes. Ao mesmo tempo, é possível provar quibes, ceviches e acarajés pelos restaurantes árabes, peruanos e baianos da região. O Theatro Municipal de São Paulo, inaugurado em 1911 para receber concertos de música clássica da Europa, hoje segue sendo um dos prédios mais elegantes da cidade, tendo se transformado em um aparelho cultural mais acessível, tendo inclusive apresentações gratuitas. Outro aparelho cultural no centro é o Centro Cultural Banco do Brasil, do qual eu sou frequentador assíduo. No CCBB é possível visitar exposições itinerantes além de assistir peças de teatro e filmes a preços populares. Impossível não passar por aqui.


Também no centro recebemos a cada ano a Virada Cultural, um evento com duração de 24 horas que ocupa o centro com apresentações artísticas de música, teatro, exposições e outros. O evento acontece desde 2005 e já recebeu artistas do mundo todo. Ainda me lembro bem de alguns shows que vi, como o de Gal Costa, Caetano Veloso, Tetê Espíndola, Elba Ramalho, Nação Zumbi, Liniker, Criolo e Anitta. A Virada, como é chamada pelos paulistas, também recebeu muitos artistas internacionais, como o grupo colombiano Bomba Estéreo e a cantora chilena Ana Tijoux. Acontecendo geralmente em maio, o evento atrai pessoas do Brasil inteiro além de estrangeiros. Certamente serão 24 horas inesquecíveis.


Porém, nem tudo são flores. São Paulo sofre de problemas que grandes cidades latino-americanas como Bogotá e Cidade do México também sofrem, como poluição, trânsito, violência, discriminação, enchentes e desigualdade.


São, São Paulo quanta dor
São, São Paulo meu amor
São oito milhões de habitantes
De todo canto em ação
Que se agridem cortesmente
Morrendo a todo vapor
E amando com todo ódio
Se odeiam com todo amor
São oito milhões de habitantes
Aglomerada solidão
Por mil chaminés e carros
Caseados à prestação
Porém, com todo defeito
Te carrego no meu peito

Cantou Tom Zé nos anos 60. Hoje, aumentamos em 4 milhões o número de habitantes, ainda vivendo a todo vapor. Porém, seja na periferia ou no condomínio, ainda é possível encontrar laços familiares e fraternos fortes e duradouros, o que faz desta cidade, embora tão colossal e frenética, também enormemente humana. Seguimos lutando no dia-a-dia contra o racismo, o machismo e a homofobia, mas sem perder a alegria de viver. Estou certo que, independente de onde o turista seja, poderá fazer amigos para a vida toda, assim como eu guardo meus amigos que recebi num lugar especial do coração. O que você está esperando para pegar seu voo para o Aeroporto Internacional de Guarulhos? Cumbica te espera.

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