O que é 'counseling' e como ele é fundamental na trajetória do adolescente?

Atualizado: Ago 31

Existe um ditado antigo que aparece em muitas línguas que diz: "Um problema compartilhado, é um problema dividido ao meio". De alguma maneira, pode-se dizer que esta é uma das premissas do 'counseling' (aconselhamento), uma prática psicoterapêutica que auxilia pessoas a encontrarem a melhor solução para seus problemas ou ainda para suas dúvidas e incertezas.


Embora não seja tão comum na América Latina, o 'counseling' é uma ferramenta magnífica de assessoramento para adolescentes que estão em uma fase transicional chave na vida, quando muitas decisões precisam ser tomadas e muitos conflitos superados. O 'counselor' (conselheiro), neste caso, é um adulto maduro, estudioso da mente humana e de preferência com ricas experiências e vivências, que pode então incitar o adolescente a refletir para tomar as melhores decisões para o começo da vida adulta.


Counseling é uma prática terapêutica de aconselhamento

Ainda que o 'counseling' como disciplina tenha surgido apenas entre os séculos 19 e 20, nós podemos fazer uma associação desta prática com grupos humanos muito mais antigos, que viviam em comunidades pequenas, como aldeias. Muitos grupos, aliás, seguem vivendo desta maneira, como comunidades indígenas e quilombolas das Américas. Neste sentido, o 'counseling' pode consistir em reuniões em grupos ou ainda individuais, onde os jovens recebem auxílio dos anciãos mais experientes da comunidade, e passam assim a ter uma visão mais clara de como agir mais assertivamente no mundo.


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No cenário escolar, o 'counselor' passa a ser uma espécie de mentor ou coach do adolescente, mostrando-lhe o leque de oportunidades de carreiras a seguir, quais caminhos educacionais são possíveis para chegar aos objetivos traçados, discussões sobre a importância de um 'gap year' (um ano após a conclusão do ensino médio para que o jovem possa refletir sobre o futuro), planejamento de um intercâmbio, entre outros. Mas não para por aí. O 'counselor', como uma vertente de psicoterapeuta, também tem a possibilidade de trabalhar questões socio-emocionais com o adolescente, como uso de drogas, sexualidade, relacionamento com os pais e outros adolescentes, gravidez na adolescência, saúde mental, depressão, violência, bullying, mídias sociais, 'peer pressure' (pressão dos pares), entre outros.


Ao final das contas, a própria reflexão que o adolescente faz sobre o futuro, já é por si só terapêutica, assim que as questões socio-emocionais são nada mais do que a outra parte indispensável para o desenvolvimento integral deste jovem. Além disso, também habilidades interpessoais, fundamentais para que este adolescente se transforme em um adulto realizado em sua totalidade e prestativo para a comunidade em que vive, são trabalhadas durante as sessões com o 'counselor'.


Assim como o psicólogo, o psicoterapeuta e o psicoanalista, o 'counselor' não oferece a cura e solução para todos os problemas do cliente. Na verdade, o papel deste profissional, que também estuda teóricos como Sigmund Freud, Carl Jung e os pais do 'counseling', Carl Rogers e Abraham Maslow, é o de um provocador. Através de conversas profundamente reflexivas, os praticantes desta vertente de terapia da fala, auxiliam os clientes a encontrarem dentro do seu consciente e inconsciente as respostas para seguirem os seus caminhos para a auto-atualização e auto-realização, sempre de maneira empática sem julgamentos e comprometida com o total sigilo das sessões e informações das conversas com o cliente, ainda que ele ou ela seja menor de idade. Existem algumas exceções em que os pais de adolescentes serão contatados para discutir detalhes da conversa, e estas são geralmente quando o jovem apresenta algum risco a própria vida ou de outras pessoas.



O 'counselor' tem o papel de um mentor ou coach

Considerando que adolescentes geralmente têm grandes dificuldades de se abrir com pais, pessoas próximas e até mesmo outros adolescentes, a relação com um 'counselor', que apesar de ser imensamente empática e amigável, ainda assim é uma relação profissional em que o jovem tem total segurança de que não há nenhuma possibilidade de 'vazamento de conversas', 'fofocas' ou ainda 'julgamentos' por parte do terapeuta, o que lhe passa maior liberdade e tranquilidade para expor suas inseguranças e encontrar junto ao profissional as melhores soluções.


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O gênero, a procedência geográfica, de raça ou sexualidade do profissional de 'counseling' é pouco relevante para a terapia, mas como citado acima, é preferível que este terapeuta não apenas leia muito sobre a mente humana mas também tenha vivenciado ele próprio situações adversas para poder ter a experiência necessária ao lidar com os mais variados tipos de situações que o jovem possa estar passando. Questões ligadas à diversidade como raça, orientação sexual, identidade de gênero e afins devem sempre ser tratadas com o máximo de empatia e zero julgamento, sendo que estes geralmente são os assuntos que os jovens têm mais dificuldade de se abrir. Reforçando, então, a necessidade de que o círculo de amigos do terapeuta seja amplo, repleto de diversidade, e que ele próprio tenha vivido situações complexas e desafiadoras.


Em suma, o 'counseling' é uma ferramenta imprescindível na vida de um adolescente, e pode inclusive marcá-lo como um 'rito de passagem', em que o jovem passa a ver a vida de uma maneira mais madura e estruturada, e onde o desejo e ânsia por correr perigo pode continuar existindo, mas este adolescente vai primeiro colocar o pé na água para ver onde está o fundo antes de pular no rio.


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