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  • Jeff Costa

O que é Lingua Franca e por que este conceito é importante?

'Teacher, você ensina inglês americano ou britânico?' Se você é professor de inglês ou estudante desta língua e diz que nunca ouviu esta pergunta, é muito provável que você esteja mentindo. Ainda é um fato, no meio de ensino da língua inglesa, esta divisão entre 'o inglês bom vs o inglês ruim', e a discussão voltou à tona depois da publicação do vídeo 'Evite estas pronúncias se você quer soar PROFISSIONAL' em tradução livre, do canal com 4 milhões de inscritos, English with Lucy.


Neste artigo vamos discutir não apenas o que é Lingua Franca, mas também como o ensino do Inglês Padrão (Standard English) pode estar repleto de preconceito.



lingua franca

substantivo [geralmente singular]


uma língua utilizada para comunicação entre grupos de pessoas que falam diferentes línguas:


A comunidade internacional de negócios vê o inglês como uma lingua franca.


FONTE: CAMBRIDGE DICTIONARY



Pelo que já podemos notar, nós brasileiros, por não termos o inglês como nossa língua nativa, quando falamos com anglófonos ou pessoas de países que não tem inglês como língua materna, estamos falando English as a Lingua Franca (ELF).


Um reflexo do inglês que o brasileiro fala, em diferentes graus, é a influência da língua portuguesa. Eu como professor já notei alguns padrões de pronúncia dos alunos que são uma clara atuação da língua portuguesa. E isto é um problema? Sim e não.


Sim se esta interferência dificultar a comunicação entre as pessoas na língua alvo. Dentro do ELF há estudos referentes a pronúncia que definem os sons que são extremamente necessários para a inteligibilidade entre as pessoas, como a maioria dos sons consonantais, com exceção do som do TH que pode ser substituído por F ou D. Assim sendo, o estudo da pronúncia ainda é importante ao estudar uma língua franca.


Não se o seu sotaque não interferir na comunicação. Como discutido acima, existem alguns sons que são indispensáveis para a comunicação. Por outro lado, o seu sotaque é a sua identidade e fala muito sobre você. A maneira que falamos está diretamente atrelada à nossa cultura. Linguagem é como uma grande feira de especiarias na Índia, e os traços culturais do lugar onde você nasceu são os temperos. Cada pessoa tem o seu próprio tempero, que depende de sua cultura, lugar e contexto social em que está inserido.


As diferenças cruciais que distinguem as sociedades humanas e os seres humanos não são biológicas. Elas são culturais.

Ruth Benedict



Esta diversidade faz com que o vídeo de Lucy seja bastante problemático, ao dividir pessoas que soam mais 'educadas' e mais 'inteligentes' ao falar com determinada pronúncia. Isto não passa de preconceito. Este, contudo, não é um ataque pessoal à professora, que já produziu vídeos muito bons. É a abertura de uma discussão que se faz necessária, de que não existem apenas duas maneiras de falar a língua inglesa no mundo.


Então é errado ensinar o inglês padrão? Não necessariamente. O inglês padrão pode ser uma ferramenta muito valiosa no caminho a fluência. O acesso às pronúncias do inglês padrão ainda é o mais rápido e fácil que temos, como exemplo do Cambridge Dictionary, que é o dicionário que eu mais utilizo. Outro fator é que grande parte das produções audiovisuais americanas e inglesas utilizam algo próximo do inglês padrão, então não existe problema em um professor que utiliza esta forma de inglês como base. Porém, agora que entra a Lingua Franca, o professor deve estar consciente da diversidade linguística da língua inglesa, para poder expor o aluno às mais variadas formas de falar.


No mundo existem ao redor de 1,5 bilhão de falantes da língua inglesa, destes apenas 1/4 são falantes de inglês como primeira língua. Apenas este dado já explicita a urgência de uma discussão sobre língua franca dentro da indústria de ensino de língua inglesa.


A força está nas diferenças, não nas similaridades

Stephen R. Covey



O que torna nosso planeta mais belo é a diversidade, e nós já percebemos isso quando pensamos sobre diversidade cultural, sexual, étnica, religiosa. Por que então seria diferente com a diversidade linguística?

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