Passeio por Santo André, a primeira letra do Grande ABC

Atualizado: Nov 11

Primeiramente se você que está lendo este artigo é da capital, nós do ABC queremos puxar a sua orelha com carinho. Como assim é muito longe vocês virem para cá quando nós vamos para São Paulo praticamente diariamente? Os moradores do Grande ABC conhecem bem essa história. Quando nós fazemos alguma amizade com uma pessoa da capital, ou mesmo quando um ex-morador da região que muda para lá, pode crer que para vermos essa pessoa teremos que nós mesmo pegar o trem e o metrô para chegar até ela.


Este artigo então um guia turístico e também um texto exaltação da nossa região, (hoje da cidade que inicia esta sigla) mostrando aos moradores da capital e de outros lugares do Brasil e do mundo nossas belezas naturais, nossas manifestações culturais, nossa arquitetura, nosso roteiro gastronômico, nossa história, nossa gente e que sim temos um grande potencial de receber visitantes e turistas.


O Grande ABC historicamente era uma cidade só chamada Santo André da Borda do Campo, primeiro povoado habitado por europeus, distanciado do litoral, por isso as cidades são conhecidas como a 'Mãe de todos os paulistas'. Antes da chegada dos portugueses, as nações indígenas que habitavam a região eram pertencentes do tronco linguístico tupi-guarani, com grande destaque aos Tamoios, indígenas guerreiros e sábios, os mais antigos a terem se instalado no litoral paulista. O significado da palavra Tamoios é 'avós'. No censo de 2008, o Grande ABC contava com mais de 8 mil indígenas, número ainda tímido frente aos mais de 2,5 milhões de habitantes da região. Outros grupos também se destacam na região, com afro-brasileiros, descendentes de europeus (especialmente portugueses e italianos), nipo-brasileiros, sírio-libaneses (com destaque à cidade de São Bernardo) e também comunidades de estrangeiros como haitianos e latino-americanos que se interessam pela cidade por razões de trabalho e também de estudo, visto que a Universidade Federal do ABC é um centro educacional de grande prestígio que atrai muitos jovens em busca de graduação e pós-graduação gratuita e de qualidade. Ainda há o caso de pessoas que buscam refúgio humanitário após terem deixado seus países de origem.


Prédio de concreto com o logotipo da Universidade em destaque
Universidade Federal do ABC Campus Santo André

A geografia de Santo André é bastante privilegiada. Com solo fértil e rica presença da mata atlântica (mais da metade do território é área de proteção ambiental VEJA AQUI), a cidade oferece uma excelente qualidade de vida aos seus moradores. Tanto que ela, e as vizinhas, sempre estão no topo da lista de cidades com melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil. Além disso, os andreenses têm ao seu dispôr 10 excelentes parques urbanos para atividades físicas e recreativas. Este é um passeio muito querido pelos habitantes da cidade, e os parques são bastante movimentados e particularmente cheios nos finais de semana.


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Os parques mais conhecidos são o Parque Central (sendo também o mais extenso, com quase 400 mil metros²) e conta com quadras poliesportivas, lagoas, uma concha acústica que recebe eventos culturais, ciclovia, academia ao ar livre, entre outros. Neste parque é possível ver diversos tipos de plantas e também de aves, como quero-quero, garças e pica-paus. Outro parque de destaque é o Celso Daniel, próximo da estação de trem de mesmo nome. Este parque é belíssimo e tem um trabalho urbanístico muito interessante. Também conta com quadras (incluindo uma quadra de tênis), um ginásio e lagoas com peixes e cágados. Esta área verde está localizada entre a linha de trem e o bairro mais valorizado da cidade, o Bairro Jardim, conhecido pelos seus prédios luxuosos, escolas internacionais, interessante rota de restaurantes e agitada vida noturna.


Lagoa com fonte e pessoas caminhando em uma trilha em meio a árvores altas
Parque Celso Daniel

Em sua época de ouro, em especial na gestão de Celso Daniel, prefeito muito querido pelos andreenses até hoje, a cidade respirava arte, recebendo diversas manifestações culturais com frequência. Ainda assim, iniciativas culturais seguem resistindo em terras andreenses. A Livraria Alpharrabio, idealizada por Dalila Teles Veras é um espaço de encontro de pessoas apaixonadas por literatura e música. O Sarau na Quebrada que tem como idealizadores, Neri Silvestre e Gláucia Adriani, agitam a Vila Luzita, na periferia de Santo André, com música, comidas afro-brasileiras e muita poesia. O Espaço Aberto, muito querido pela comunidade LGBTQIA+, em especial as mulheres lésbicas, é um ponto de resistência e encontro de pessoas que gostam de churrasco e música brasileira de qualidade.


Além dessas iniciativas, a cidade conta com alguns aparelhos culturais, com destaque para o Museu Municipal, um prédio charmoso na Rua Senador Fláquer que antes de se converter em museu, foi uma escola. Também no centro estão a Casa da Palavra, com cursos de escrita e saraus de poesia e a Casa do Olhar, que recebe exposições visuais. E obviamente que não poderia deixar de falar sobre o SESC, grande promotor de cultura em solo brasileiro, com presença indispensável em São Paulo. A unidade de Santo André foi inaugurada em 2002 e já recebeu diversos artistas do Brasil e do mundo em festivais, exposições e encontros. Também o SESC Santo André conta com academia, piscina externa e interna, quadras, restaurante, biblioteca e livraria. Um verdadeiro aliado da cultura andreense.


Piscina externa com dia ensolarado e pessoas se banhando e tomando sol
SESC Santo André

Outro lugar de interesse na cidade é o Sabina - Parque Escola do Conhecimento, localizado ao lado do Parque Central. O belíssimo prédio foi desenhado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha e acolhe um percorrido científico que é muito querido pelas crianças e adolescentes da região que conta ainda com um planetário. O Sabina recebe estudantes de escolas públicas e particulares de toda a região do Grande ABC, além de alunos de outras cidades também, curiosos para aprender mais sobre geografia, biologia, astronomia, física, química e até paleontologia. Parada obrigatória para quem visita à cidade com os filhos.


Falando em escola, Santo André é referência no estado de São Paulo com as suas Escolas Livres. Espaços geridos pela Prefeitura de Santo André por meio da Secretaria de Cultura, elas são a Escola Livre de Teatro (ELT), a Escola Livre de Dança (ELD) e a Escola Livre de Cinema e Vídeo (ELCV). Os cursos são totalmente gratuitos e atraem não apenas pessoas do Grande ABC como também de outras partes do Brasil. Duas cantoras e atrizes que são ex-alunas da ELT que têm grande destaque na cena artística brasileira são Linn da Quebrada e Liniker.


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A arquitetura de Santo André tem muitos outros exemplos de excelente qualidade, desde as casinhas tipicamente paulistas que ainda resistem em meio aos cada vez mais comuns condomínios, os prédios da Fundação Santo André, uma das faculdades mais prestigiosas e tradicionais da região, o prédio da OAB, a galeria ao ar livre Oliveira Lima, o Teatro Municipal e o próprio Paço Municipal, projetado pelo arquiteto Rino Levi e com projeto paisagístico do renomado artista Burle Marx. Completando os desenhos arquitetônicos, a cidade de Santo André possui interessantes corredores de grafites, com destaque ao do muro da linha de trem e o da Avenida Santos Dumont.


Prefeitura de Santo André com o teatro municipal, biblioteca, prédio administrativo, judiciário e legislativo.
Paço Municipal de Santo André

Obviamente que não poderia deixar de mencionar a nossa querida Vila de Paranapiacaba, uma vila ferroviária inglesa com mais de 100 anos de existência em meio à Mata Atlântica a mais de 34 km do centro da cidade, com casas de madeira, cachoeiras e um mirante com vista para o mar. Em tupi-guarani o nome da vila significa 'lugar de onde se avista o mar', um ponto de travessia para os indígenas da região. A vila recebe anualmente o já tradicional Festival de Inverno, com atrações que vão da música, ao teatro e da dança à culinária. Por motivos de interesse econômico, Paranapiacaba, os seus moradores e os demais andreenses vivem ameaçados por obras que podem colocar a sua natureza exuberante em risco. Felizmente existem especialistas e pessoas comuns comprometidas com a sua defesa e assim pressionam o poder público para respeitar a nossa história e patrimônio ambiental.



Relógio inglês estilo Big Ben ao meio da Mata Atlântica
Vila de Paranapiacaba

Santo André é uma cidade notavelmente mais tranquila do que a capital paulista, que fica a apenas 40 minutos partindo desde o trem na Estação Celso Daniel. Diria até que em algumas regiões a cidade se sente um tanto quanto provinciana. Conhecida como uma cidade dormitório, pois muitos dos seus habitantes trabalham e estudam em São Paulo, Santo André possui seu charme e seu jeito único de ser. Espero que este singelo e despretensioso artigo tenha mostrado um pouco do potencial turístico do Grande ABC sendo que eu nem comecei a falar sobre São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Será que vale a pena pegar aquele metrô na terra da garoa e descer na terra da neblina?


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